Vários programas e internet ajudam a reduzir gastos com remédios
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados em 2012, indicam que 46,8% da despesa média mensal com saúde da família brasileira são direcionados à compra de remédios, valor superior ao que se gasta com plano de saúde (29,8%). No entanto, existem alguns mecanismos que podem diminuir esta despesa ou até mesmo reduzir a zero o gasto com remédios. Entre as medidas que ajudam quem compra medicamentos frequentemente ou recebeu uma receita de um medicamento muito caro para o seu orçamento estão os programas oferecidos por laboratórios e a compra pela internet.
Fonte o Correio de Uberlândia
Pouco difundido, o Programa de Benefício de Medicamentos (PBM) oferece descontos para clientes conveniados. Segundo Rogério Cerântola, coordenador de marketing da Bayer, o programa foi implantado na empresa em 2009. “Contamos hoje com uma rede de quase 20 mil farmácias”, disse. A articulação agrega valores e corta custos, viabilizando descontos para o cliente. De acordo com Cerântola, a venda de alguns produtos por meio do PBM supera 50% da venda total destes rótulos no mercado.
Para contar com o benefício, as pessoas que usam medicamentos fabricados por laboratórios que oferecem o PBM devem se cadastrar no site ou no 0800 da empresa, apresentando CFP, RG e CRM do médico que assina a receita. Clientes conveniados têm abatimento em qualquer farmácia que venda o remédio. A margem de desconto depende do medicamento e do laboratório.
A atendente de farmácia Pauliana Aparecida da Silva é conveniada à Lundbeck há dois anos para comprar um remédio de uso contínuo. “É bom, porque tem empresa que dá mais de 50% de desconto. Para pessoas que dependem de medicamento, como eu, compensa muito”, disse.
Internet
A Internet é uma via que se populariza como meio de compra de qualquer tipo de produto. Com os medicamentos, não é diferente. O internauta encontra ampla oferta na rede. Entretanto, é preciso comparar os preços do produto que procura com o praticado na farmácia física.
Em uma rede de farmácias que tem dez lojas na cidade, uma unidade do complexo vitamínico Centrum, com 150 comprimidos, custa R$ 155,93 na loja. No site, o valor cobrado é de R$ 116,95, ou seja, com 25% de desconto. Somado ao frete para Uberlândia, de R$ 13,70, a compra fica em R$ 130,65, com desconto de 16% em relação ao preço da loja.
Em outra rede de farmácias, o mesmo complexo vitamínico custa R$ 182, mas se o cliente usar o cartão fidelidade ele obtém até 28% de desconto, o que faz o preço cair para R$ 131. Pelo site, o valor inicial do mesmo produto é de R$ 150,73, mas o cliente recebe desconto de 5% e paga R$ 143,55, o que, somado ao custo do frete, de R$ 8,49, totaliza R$ 152,04, valor 13% mais alto que o preço da compra na loja, com cartão fidelidade.
Desconto pode chegar a 90% em rede com três farmácias em Uberlândia
Farmácias que divulgam preços populares também podem apresentar benefícios superiores aos oferecidos pelos cartões fidelidade, em casos determinados. Para identificar a diferença, a pesquisa de preço continua sendo importante. A Farmácia do Trabalhador do Brasil, por exemplo, tem três lojas em Uberlândia e ainda desperta a curiosidade da comunidade sobre o interesse público ou não do serviço que presta.
Trata-se de uma rede de farmácias privada que divulga a venda de remédios a partir de R$ 0,19 e descontos de até 90%. O medicamento Dia D, a “pílula do dia seguinte”, é vendido por R$ 4,99, enquanto o preço praticado pelo mercado é de cerca de R$ 23. “Vendemos 200 caixas deste remédio por semana”, disse Álvaro Rodrigues, gerente de uma das lojas.
A empresa justifica a prática de preços baixos pela parceria que tem com laboratórios. Segundo Rodrigues, a rede foi criada em Pernambuco, por dois empresários, que têm margem de lucro mais baixa e compram em grande quantidade, para suas 1,2 mil lojas.
Porém, há remédios que custam o mesmo preço do mercado ou valores maiores. Por exemplo, o Prednisona, de 5 miligramas, com 20 comprimidos, custa R$ 7 na Farmácia do Trabalhador, enquanto, em redes de maior porte, pode ser comprado por até R$ 5 no cartão fidelidade.
Cartão fidelidade não dispensa pesquisa de preços pelo consumidor
Formas já familiares de obter descontos na compra de medicamentos, o convênio com redes de farmácias e a compra em estabelecimentos que praticam preços populares podem ser alternativas à redução dos gastos, desde que o cliente faça pesquisa de preço antes comprar.
A adesão ao cartão fidelidade, benefício oferecido por redes de maior porte, é gratuita. Segundo Marcelo Magalhães, gerente-adjunto de uma das dez lojas de uma rede que oferece o programa, para se conveniar, basta apresentar CPF, RG e comprovante de endereço. Mesmo pessoas com nome retido podem fazer o cadastro.
O cliente pode comprar remédios tarjados (tarja vermelha) com o benefício em qualquer unidade da rede, em todo o país. A empresa oferece descontos de 10% a 20% para pessoas com até 55 anos e de 15% a 25% para pessoas com mais de 55 anos.
Em outra rede, além de remédios tarjados, o cliente que apresenta cartão fidelidade também compra outros produtos com desconto de até 28%. Porém o valor inicial é mais alto que o praticado pelo mercado, podendo neutralizar o desconto. O complexo vitamínico Centrum, com 150 comprimidos, por exemplo, custa R$ 182 nesta rede e recebe desconto, enquanto, em outras, o valor é de cerca de R$ 150.
Cidade tem 124 estabelecimentos que atendem pelo “Farmácia popular”
Além da possibilidade de comprar remédios genéricos, que chegam ao cliente com preço subsidiado, o governo federal criou, em 2004, o programa Farmácia Popular, uma parceria público-privada que destina medicamentos a pessoas em tratamento, gratuitamente ou com descontos.
Além de possuir uma rede própria de farmácias, desde 2006, por meio de uma parceria com farmácias e drogarias da rede privada, o programa é oferecido em todo o Brasil, com o slogan “Aqui tem Farmácia Popular”. Para ter acesso aos benefícios, o paciente deve apresentar, na própria farmácia vinculada ao programa, CPF, um documento com foto e a receita médica ou odontológica em seu nome.
Em Uberlândia, ainda não há uma farmácia exclusiva da rede, mas pelo menos 124 estabelecimentos são credenciados, segundo dados do governo federal.
Pessoas com quadros de hipertensão arterial e com determinados tipos de diabetes recebem medicação gratuita desde 2011. Posteriormente, pessoas em tratamento de asma também foram beneficiadas. O programa oferece ainda, com descontos de até 90%, contraceptivos, fraldas geriátricas e 13 tipos de medicamentos para tratamento de dislipidemia, rinite, mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma.
Pacientes obtêm medicamentos distribuídos pelo governo
Além de meios de economizar na compra de remédios oferecidos por instituições privadas, como redes de farmácias e laboratórios, pacientes diagnosticados com determinadas doenças são assistidos pelos governos federal, estadual e municipal, por meio da assistência farmacêutica, recebendo medicamentos gratuitamente.
Uma das vias é a distribuição de remédios pelo governo federal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Cleuber Pacheco da Silva, coordenador da assistência farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde, a assistência farmacêutica da União é segmentada em níveis básico, estratégico e especializado, segundo o tipo de doença.
No componente básico, estão os medicamentos para as doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e asma. No âmbito estratégico, os medicamentos são oferecidos por meio de programas do governo para erradicação de doenças endêmicas, como DST, hanseníase e tuberculose. No especializado, estão as medicações de alto custo e para doenças como o câncer.
Segundo Cleuber Silva, como se trata de um programa governamental, a dispensa de medicamentos depende do ingresso no SUS, por uma das 23 portas de entrada distribuídas em Postos de Saúde da Família (PSF), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Atendimento Integrado (UAI).
A medicação é ministrada a partir de diretrizes clínicas terapêuticas elaboradas pelo Ministério da Saúde, a partir de princípios ativos disponíveis na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remune), que ficou pronta na última quarta-feira (30).
Estado
Se determinado remédio utilizado, sobretudo, continuamente ou em longo prazo, não fizer parte da Remune, uma relação de medicamentos é oferecida por meio da Superintendência Estadual de Saúde (SRS).
Segundo informações da assessoria de comunicação do órgão, o cardápio de dispensação da Secretaria Estadual de Saúde contém medicamentos excepcionais e de alto custo, destinados a pessoas com patologias determinadas, entre elas, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, alguns tipos de diabetes, crohn, gaucher, renais crônicos e transplantados.
Para acessar o benefício, o paciente deve montar um processo, sob orientação da SRS, em que anexa histórico de exames, receita e relatório médicos, entre outros documentos. O processo é encaminhado à Secretaria Estadual de Saúde, em Belo Horizonte, onde passa por análise durante cerca de 30 dias. Uma vez deferido, o paciente recebe a medicação por toda a vida ou enquanto durar o tratamento.
Formas de adquirir medicamentos com custo reduzido ou zero
PBM
Qualquer cliente que faça uso de medicamentos produzidos por farmácias que mantém o Programa de Benefício de Medicamentos pode se cadastrar, por meio do site ou 0800 da empresa, apresentando CFP, RG, endereço e CRM do médico que assina a receita. Para comprar o remédio com o benefício, a pessoa deve apresentar o CPF no ato da compra do remédio.
Internet
Normas da Anvisa – RCD nº44/2009
– Somente farmácias e drogarias abertas ao público, com farmacêutico responsável presente durante o horário de funcionamento, podem vender medicamentos por meio remoto, como telefone, fax e internet.
– É proibida a comercialização de medicamentos sujeitos a controle especial (tarja preta e antibióticos) por meio remoto.
– Para saber se uma empresa possui autorização de funcionamento ou se determinado medicamento é registrado, acesse o site, clique em lista de áreas de atuação e em medicamentos e escolha a opção.
Cartão fidelidade
Redes de farmácia de grande porte oferecem benefícios para clientes exclusivos. Para se conveniar, basta apresentar CPF, RG e comprovante de endereço em uma das lojas. O cartão fidelidade chega na casa do conveniado em cerca de 30 dias após o cadastro. O cliente pode comprar medicamentos com o benefício em qualquer loja da rede, em todo o país.
Municipal
Para receber remédios gratuitamente via SUS, a pessoa deve ser usuária do serviço de saúde público, ingressando por meio de um PSF, uma UBS ou Uai. A medicação solicitada deve integrar a Remune de Uberlândia, que e reúne princípios ativos e classes terapêuticas. A lista será divulgada em todas as unidade da rede pública de saúde básica. Uma vez recebendo o benefício, a prescrição deve ser renovada a cada três meses. Informações: 3239-2670
Estadual
A Secretaria Estadual de Saúde oferece medicamentos excepcionais e de alto custo por meio da Superintendência Estadual de Saúde, destinados a pessoas com alzheimer, parkinson, alguns tipos de diabetes, crohn, gaucher, renais crônicos e transplantados, entre outras. Para acessar o benefício, o paciente deve montar um processo, sob orientação da SRS, com histórico de exames, relatório médico, receita, etc. O processo é analisado em cerca de 30 dias. Informações: (34) 3214-4600.
Federal
O governo federal oferece medicação gratuita para pessoas com hipertensão arterial, determinados tipos de diabetes e asma. Oferece ainda, com até 90% de desconto, contraceptivos, fraldas geriátricas e medicamentos para tratamento de dislipidemia, rinite, mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma. Para ter acesso aos benefícios, o paciente deve apresentar o CPF, um documento com foto e a receita médica ou odontológica em seu nome em farmácia que atenda o programa. Para pegar medicação para terceiros, é preciso apresentar uma procuração registrada em cartório e a receita. Informações no portal.
Outras vias
Caso não encontre a medicação prescrita na Secretaria de Saúde, Superintendência Estadual de Saúde ou Farmácia Popular, a pessoa deve encaminhar uma solicitação à Defensoria Pública ou Ministério Público para ser assistida pelo poder público.


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