O idoso que quiser contratar um plano de saúde provavelmente vai encontrar dificuldades para alcançar tal objetivo. É o que mostra um levantamento do Idec, que avaliou quais operadoras estão oferecendo planos individuais e, entre estas, quais são os preços e as condições de contratação para usuários de mais de 60 anos.
Idosos encontram dificuldades para contratar um plano de saúde individual, como altos preços, falta de oferta de planos e exigência de avaliação médica prévia antes da contratação do serviço, aponta pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Entre as 20 operadoras com maior número de usuários em São Paulo, somente oito comercializam planos individuais/familiares para idosos.
Com relação ao preço, o Idec cotou o valor do plano mais barato e do plano mais caro de cada uma das seis operadoras consideradas (o Idec não conseguiu contato com 2 das 8 que oferecem o produto) para um usuário com idade de 75 anos.
A média dos preços dos planos de saúde individuais/familiares mais baratos ofertados na cidade de São Paulo compromete cerca de 40% da renda mensal dos idosos. A média dos preços dos planos mais caros compromete 99%. A média dos valores globais compromete 70%.
Para o valor do comprometimento da renda, o Idec comparou os valores dos planos com a renda média de uma pessoa com mais de 60 anos no País, de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2011.
Segundo a Pnad, 72,4% dos idosos possui rendimento mensal de, no máximo, dois salários mínimos
O estudo revele, ainda, que os idosos encontram barreiras como a falta de informação e a exigência de avaliação médica prévia para contratar um plano.
Cinco operadoras exigem que o idoso faça exames ou entrevista com um médico para contratar o plano - ou seja, o idoso interessado em adquirir um plano de saúde individual é submetido a um exame médico prévio ou ao que se chama de ‘entrevista qualificada’.
No entendimento do Idec, submeter o consumidor a uma avaliação médica prévia para a contratação do serviço é ilegal. “A contratação de um plano de saúde envolve riscos para os dois lados. O consumidor corre o risco de pagar e não precisar usá-lo, e a operadora corre o risco de vender um plano sem saber se o cliente vai ou não desenvolver uma doença”, argumenta o instituto. A exigência de avaliação médica prévia não é regulamentada pela ANS, diz o Idec.
Como foi realizada a Pesquisa
Foram escolhidas as 20 operadoras com maior número de usuários na cidade de São Paulo. Os dados foram colhidos do site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e referem-se a dezembro de 2013. São elas: Amil, Bradesco Saúde, Sul América, Unimed Paulistana, Intermédica, Dix (pertencente à Amil), Green-Line, Porto Seguro, Prevent Senior, Mediservice, Santamália, Marítima, Allianz, São Cristóvão, Notre Dame, Golden Cross, Sistemas e Planos de Saúde, Biovida, Ameplan e MediSanitas.
Em seguida, constatou-se quais ofereciam planos individuais. As que se enquadraram nesse perfil foram então escolhidas para que fosse feita a verificação de como um plano de saúde é vendido para uma pessoa de 75 anos. Os telefones acionados foram os publicados em cada página virtual, de modo que o contato inicial com cada operadora foi direto, sem intermediários.
Os critérios considerados foram: preço, exigência ou não de avaliação médica prévia, período de cobertura parcial temporária e carências. O Idec avaliou ainda a maneira como tais informações foram fornecidas; isto é, se espontaneamente ou não.


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